Quanto de entrada compensa dar no carro
Num carro de R$ 60.000 a 1,79% ao mês em 48 meses, subir a entrada de R$ 12.000 para R$ 18.000 economiza R$ 2.992,32 de juros. São R$ 6.000 adiantados que devolvem quase metade disso ao longo do contrato — um retorno de 49,872% sobre o dinheiro antecipado, sem risco nenhum.
A conta é simples de montar: rode a Tabela Price duas vezes, com a mesma taxa e o mesmo prazo, mudando só a entrada, e compare o juro total de cada cenário. A calculadora de entrada maior faz as duas passadas de uma vez.
Por que se compara o juro, e não a parcela
A parcela também cai — de R$ 1.498,77 para R$ 1.311,43, um alívio de R$ 187,34 por mês —, mas ela sozinha engana: parcela menor pode vir de prazo maior, que custa mais.
O desembolso de quem financia é sempre o preço do carro mais os juros. A entrada extra não evapora: ela aparece inteira do outro lado, abatendo o financiado. Então a diferença de juros é a diferença de desembolso, e é o único número que responde à pergunta.
Cada faixa de entrada, no mesmo carro
Carro de R$ 60.000, 1,79% ao mês, 48 meses:
- R$ 12.000 de entrada: financia R$ 48.000, parcela de R$ 1.498,77, juros de R$ 23.940,96;
- R$ 18.000: financia R$ 42.000, parcela de R$ 1.311,43, juros de R$ 20.948,64 — economiza R$ 2.992,32;
- R$ 24.000: financia R$ 36.000, parcela de R$ 1.124,08, juros de R$ 17.955,84 — economiza R$ 5.985,12;
- R$ 30.000: financia R$ 30.000, parcela de R$ 936,73, juros de R$ 14.963,04 — economiza R$ 8.977,92;
- R$ 36.000: financia R$ 24.000, parcela de R$ 749,39, juros de R$ 11.970,72 — economiza R$ 11.970,24.
O efeito é linear: cada R$ 6.000 a mais de entrada tira aproximadamente os mesmos R$ 2.992,32 de juros. Não existe um ponto ótimo escondido na curva — o que existe é o limite do seu bolso.
A pergunta que decide: esse dinheiro renderia mais em outro lugar?
A taxa a bater é a do contrato, 1,79% ao mês. Se a sua aplicação rende menos que isso, adiantar a entrada é o melhor uso do dinheiro, porque o juro que você deixa de pagar é retorno garantido e líquido. Se rende mais, a conta muda — e é a de financiar ou pagar à vista.
O que quase nunca compensa é zerar a reserva de emergência. Seguro, IPVA, licenciamento e a primeira revisão vencem depois da compra, e quem fica sem caixa costuma voltar a tomar crédito bem mais caro para pagá-los. A economia de R$ 2.992,32 some rápido diante do juro de um rotativo.
Entrada maior ou prazo menor
As duas reduzem juro por caminhos diferentes, e vale medir qual está ao seu alcance. No mesmo carro, R$ 6.000 de entrada extra economizam R$ 2.992,32; encurtar o prazo de 48 para 36 meses, sem mexer na entrada, economiza R$ 6.411,96 — mas exige parcela de R$ 1.820,25 em vez de R$ 1.498,77.
Prazo menor economiza mais e aperta mais. Entrada maior economiza menos e alivia a parcela. Quem consegue as duas coisas paga bem menos que os R$ 23.940,96 de juros do cenário de partida.
Um detalhe que a conta não captura: entrada maior às vezes destrava uma taxa menor no banco. Se for o seu caso, a economia real é maior que a calculada, e o jeito de medir é rodar a conta duas vezes, uma com cada taxa.