Calcula Carro — TROCAR
← Blog

O que muda quando o carro é usado para trabalho remunerado

Muda a regra de pontos da CNH, muda a escala do desgaste e muda o significado do número que o aplicativo mostra na tela. No exemplo do site, R$ 2.000 de faturamento bruto numa semana de 50 horas e 1.000 km rodados viram R$ 450 de lucro: R$ 9 por hora, contra os R$ 40 por hora de bruto que o motorista costuma repetir.

A CNH tem outro limite, e é mais folgado

Quem exerce atividade remunerada ao volante tem limite fixo de 40 pontos em 12 meses, pelo art. 261, §5º do Código de Trânsito Brasileiro, qualquer que seja o número de infrações gravíssimas no período.

É a exceção à escada que vale para todo o resto: sem atividade remunerada, o limite cai para 30 pontos com uma gravíssima e para 20 pontos com duas ou mais. Um mesmo prontuário pode estar suspenso de um lado e folgado do outro. A calculadora de pontos na CNH pergunta isso antes de responder porque a resposta muda inteira.

O bruto não é seu, e nem quase

Duas subtrações separam o que o app mostra do que sobra. Primeiro a taxa da plataforma: 25% sobre R$ 2.000 deixam R$ 1.500 na sua mão. Depois o custo de rodar: 1.000 km a R$ 1,05 por quilômetro consomem R$ 1.050. Sobram R$ 450, uma margem de 22,5% sobre o bruto.

Dito de outro jeito: de cada R$ 100 faturados, R$ 25 vão para a plataforma e R$ 52,5 vão para o carro.

O custo por km precisa ser o honesto

Só de combustível, a 11 km/L e com a gasolina ao preço da pesquisa da ANP de 30/08 a 05/09/2026, o quilômetro sai por R$ 0,574. Usar esse número como custo de rodar é a origem da maior parte das contas otimistas que circulam.

O custo honesto soma manutenção, pneus, seguro, IPVA, licenciamento e depreciação. No carro de referência deste site ele dá R$ 2,021 por quilômetro e R$ 24.257,72 no ano — e o campo da calculadora de motorista abre em R$ 1,05 justamente porque o valor do combustível sozinho não descreve nada. Quem roda muito mais que a média dilui melhor os fixos, e por isso deve rodar o custo por km real com a própria quilometragem antes de preencher.

Todos os quilômetros contam

Os km indo buscar o passageiro e os de volta para casa desgastam o carro igual aos km pagos. No exemplo, 1.000 km custam R$ 1.050 independentemente de quantos foram remunerados. Informar só o trecho com passageiro a bordo infla o resultado duas vezes: por baixar o custo e por baixar as horas.

O mesmo vale para o tempo. Hora logada inclui espera, e é ela que divide o líquido — 50 horas, e não só as horas com corrida ativa.

A faixa entre prejuízo e lucro é estreita

Mantendo os mesmos 1.000 km e as mesmas 50 horas, a semana muda de sinal rápido. A R$ 1.200 de bruto, a taxa leva R$ 300, o carro leva R$ 1.050 e o resultado é R$ -150, ou R$ -3 por hora. A R$ 1.600, sobram R$ 150, R$ 3 por hora. A R$ 2.000, sobram R$ 450, R$ 9 por hora. A R$ 3.000, sobram R$ 1.200, R$ 24 por hora.

O custo de rodar não se mexe nessa tabela. Ele é o mesmo em todas as linhas, e é por isso que o bruto tem um piso abaixo do qual trabalhar é pagar para trabalhar.

O percentual da plataforma este site não crava

Procuramos nas páginas de ajuda e nos termos de uso da Uber, da 99 e da inDrive, em comunicados das próprias empresas, no IPEA, na PNAD do IBGE e em processos do CADE. Nenhuma publica um percentual estável e verificável: ele varia por cidade, por categoria, por promoção e por motorista.

Os 25% que abrem no campo são ponto de partida marcado como em revisão. O seu percentual efetivo está no extrato, na divisão entre o que você recebeu e o que o passageiro pagou — e é ele que deve entrar na conta.