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Quanto o carro desvaloriza por ano

A resposta honesta é que este site não achou fonte pública brasileira para essa curva. Procuramos na FIPE, na Fenabrave, no Sindipeças, na Anfavea e em estudos acadêmicos: a FIPE publica o preço observado do mês, não uma série de depreciação, e a frase de que “o carro perde 20% no primeiro ano” circula em toda parte sem origem citável.

O que existe é a fórmula, e ela é boa: valor estimado = valor de novo × (1 − taxa) elevado à idade. Na calculadora de depreciação a taxa é campo editável, marcado em revisão, e o resto é aritmética limpa.

Como medir a sua taxa em cinco minutos

Este é o método que substitui o número de cabeça. Abra a tabela FIPE do seu modelo, ano e versão, e anote o valor de hoje. Depois abra a FIPE do mesmo modelo com um ano a mais de idade e anote também. Divida o segundo pelo primeiro: a diferença percentual é a taxa que vale para o seu carro, medida por você.

Ela costuma ser diferente da média para modelos de alta procura e para os de liquidez ruim, e é justamente essa diferença que nenhuma média captura. Feito isso, ponha o número no campo e a conta passa a ser sua.

Por que a curva é composta e não linear

Cada ano tira uma fatia do que sobrou, não do valor original. A conta linear — valor menos taxa vezes idade — chega a valor negativo: a 15% ao ano ela zeraria o carro em 6,7 anos e o deixaria abaixo de zero depois disso, o que nenhum carro faz.

A composta nunca cruza o zero. Com o carro de referência do site, de R$ 60.000 a 15% ao ano:

  • 1 ano: vale R$ 51.000, perdeu R$ 9.000, retém 85%;
  • 2 anos: R$ 43.350, perdeu R$ 16.650, retém 72,2%;
  • 3 anos: R$ 36.847,5, perdeu R$ 23.152,5, retém 61,4%;
  • 5 anos: R$ 26.622,32, perdeu R$ 33.377,68, retém 44,4%;
  • 10 anos: R$ 11.812,46, perdeu R$ 48.187,54, retém 19,7%.

A perda média por ano cai junto: R$ 9.000 no primeiro ano, R$ 7.717,5 na média dos três primeiros, R$ 4.818,75 na média dos dez. Quem compra usado de cinco anos entra numa parte da curva bem mais barata que a de quem compra zero.

Depreciação é despesa mesmo sem vender o carro

É a maior despesa isolada de ter um carro, e a única que ninguém vê sair da conta bancária. No carro de referência ela dá R$ 9.000 por ano, contra R$ 6.883,64 de combustível — 37,1% do custo por km real contra 28,4%.

Você paga essa conta de uma vez só, na hora de vender ou trocar. E paga com o carro parado também: a maior parte da curva é tempo, não quilometragem.

O que a fórmula não sabe

Ela aplica uma taxa única a todos os anos. Na prática o primeiro ano é o mais duro, porque o carro deixa de ser zero-quilômetro, e a curva achata depois — então usar uma taxa média subestima o começo e superestima o fim.

Ela também não olha modelo, marca, versão, câmbio, cor, histórico de sinistro nem procura de mercado. Dois carros do mesmo preço com liquidez muito diferente recebem aqui a mesma curva, e no pátio recebem propostas bem diferentes.

Por isso os números acima são ordem de grandeza, não referência. A referência é a FIPE do seu modelo, medida por você, com o método do começo deste texto.

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