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Quando trocar a correia dentada

Quando o primeiro dos dois limites do manual chegar: o de quilometragem ou o de idade. No exemplo do site — intervalo de 60.000 km ou 6 anos, última troca em 30.000 km e há 5 anos, hodômetro em 78.000 km — a correia está a 83,3% da vida e quem vai vencer antes é o tempo: faltam 12.000 km, mas só 1 ano. Trocar “quando der o km” é o jeito mais comum de passar do prazo sem perceber.

Por que a idade conta tanto quanto o quilômetro

A correia é borracha com reforço, e borracha resseca parada. Um carro que fica na garagem não poupa a correia; ele só deixa de gastar o outro limite. Por isso o fabricante publica os dois marcos, e por isso o que decide é o menor prazo entre eles.

Rode a conta do seu motor na calculadora de correia dentada, com os dois intervalos do seu manual e o orçamento do serviço.

A provisão não se divide pelo intervalo do manual

Aqui está o achado da conta. O custo do serviço não deve ser dividido pelo intervalo publicado, e sim pela vida efetiva da correia — a menor entre “quantos anos eu levo para rodar o intervalo” e o limite de idade.

No exemplo, quem roda 12.000 km por ano leva 5 anos para rodar 60.000 km, e é essa a vida efetiva. Um serviço de R$ 1.200 dividido por esses 5 anos dá R$ 240 por ano, ou R$ 20 por mês, e R$ 0,02 por quilômetro.

Quem roda pouco paga mais caro por quilômetro

Mude só a quilometragem anual e a conta vira outra. Rodando 4.000 km por ano, o limite de idade chega muito antes: a correia é trocada com 24.000 km rodados, e não com os 60.000 do manual. O mesmo serviço de R$ 1.200 sai por R$ 200 por ano e R$ 0,05 por quilômetro — mais que o dobro do custo de quem roda 12.000.

A 8.000 km por ano a troca acontece com 48.000 km e o quilômetro sai por R$ 0,025. Só a partir de 12.000 km por ano o limite de quilometragem passa a ser o que decide: a 20.000 km a vida efetiva cai para 3 anos, com provisão de R$ 400 por ano, e a 30.000 km cai para 2 anos, com R$ 600 por ano — mas o custo por quilômetro estaciona em R$ 0,02, porque a partir daí a correia entrega o intervalo inteiro.

Dividir o serviço pelo intervalo do manual esconderia isso e mostraria o mesmo custo por quilômetro para todo mundo.

O que precisa estar no orçamento

Correia, tensor, rolamentos, bomba d’água quando ela é acionada pela correia, e a mão de obra. Digitar só o preço da peça é o erro mais comum dessa conta e subestima a provisão em muito — o serviço é o conjunto, e trocar a correia sem trocar o tensor devolve o carro ao mesmo risco.

O risco que não aparece em nenhuma linha do resultado

Em motor de interferência, a correia arrebentada faz válvula e pistão se encontrarem. O prejuízo é de outra ordem de grandeza e não entra em nenhuma parcela desta conta: não existe provisão que cubra a diferença entre trocar no prazo e reconstruir o cabeçote.

A calculadora não sabe se o seu motor é de interferência. Vale a pena descobrir antes de decidir esticar o intervalo.

Nem todo motor tem correia dentada

Vários usam corrente, que segue outro regime e costuma ser prevista para a vida do motor, com manutenção ligada ao óleo. E motor com corrente em banho de óleo não se encaixa neste modelo de jeito nenhum. Os dois campos de intervalo abrem marcados como em revisão exatamente por isso: os fabricantes publicam marcos diferentes, e o número que vale é o do manual do seu motor.

Faça a conta do seu caso agora Correia dentada: quando trocar e quanto provisionar