Financiamento ou consórcio: a diferença é R$ 11.940,96 e um prazo sem data
Para um carro de R$ 60.000, um consórcio de 60 meses com 18% de taxa de administração e 2% de fundo de reserva custa R$ 72.000, com parcela de R$ 1.200. O financiamento equivalente — R$ 12.000 de entrada, 1,79% ao mês em 48 meses — custa R$ 83.940,96, com parcela de R$ 1.498,77. A diferença é de R$ 11.940,96 a favor do consórcio.
Esse número, sozinho, não decide nada. Rode o seu contrato na calculadora de consórcio ou financiamento com a taxa de administração do seu grupo e a taxa da sua proposta, porque as duas variam muito mais entre ofertas do que entre modalidades.
Consórcio não tem juros, tem custo administrativo
A conta do consórcio não tem empréstimo dentro: o grupo se autofinancia, e o que você paga além da carta é taxa de administração mais fundo de reserva. Nos valores acima, isso soma R$ 12.000. Do outro lado, o financiamento cobra R$ 23.940,96 de juros pelos mesmos 48 meses.
Ou seja: o consórcio custa cerca de metade do financiamento em despesa acessória. É daí que sai a fama de barato, e a fama é verdadeira no dinheiro.
O que a diferença de R$ 11.940,96 está comprando
Ela está comprando tempo — o seu. A carta do consórcio sai por sorteio ou por lance, e sem nenhum dos dois você pode pagar o plano inteiro e receber o carro só no 60º mês. O financiamento põe o carro na garagem hoje.
Comparar R$ 72.000 com R$ 83.940,96 é comparar o preço de duas coisas diferentes: um carro em data indeterminada e um carro agora. Se o carro é condição para trabalhar, levar filho à escola ou sair de um aluguel de veículo, os R$ 11.940,96 são o preço da espera, e o cálculo financeiro não tem como pesar isso por você.
A taxa de administração move a comparação inteira
O 18% do exemplo não é lei. Com 12% de taxa, o consórcio cai para R$ 68.400 e a vantagem sobe para R$ 15.540,96. Com 25%, o consórcio sobe para R$ 76.200 e a vantagem despenca para R$ 7.740,96 — menos de dois terços da diferença original, pelo mesmo carro e o mesmo prazo.
Do lado do financiamento existe um movimento simétrico e menos visível: a taxa anunciada não é o que você paga. Com tarifas de contratação e seguro embutido, aqueles 1,79% ao mês viram 1,994% no custo efetivo total. Comparar a taxa anunciada com a taxa de administração do consórcio subestima o financiamento.
Dois detalhes que empurram o consórcio para cima
A carta é reajustada durante o plano, normalmente por índice de preço do setor, e a parcela acompanha. Os R$ 1.200 calculados aqui estão em reais de hoje: o desembolso real ao longo dos 60 meses fica acima de R$ 72.000, e a conta não sabe de quanto.
E dar lance não é desconto. O lance antecipa parcelas, muda o momento de receber a carta e não muda o custo total. O que ele compra é a chance de não esperar até o fim.
O critério
Responda a uma pergunta antes de olhar qualquer número: você consegue passar até 60 meses sem esse carro? Se a resposta é não, o financiamento já ganhou, e o que resta é negociar a taxa e aumentar a entrada. Se a resposta é sim, compare o custo administrativo do grupo com os juros do contrato pelo mesmo prazo — R$ 12.000 contra R$ 23.940,96 no exemplo — e escolha o menor, sabendo que a carta reajustada vai encurtar essa distância.