Quanto sobra para o motorista de aplicativo no fim do mês
De R$ 6.500 faturados no mês, sobram R$ 1.040 para o motorista de aplicativo do exemplo desta conta. Foram R$ 5.460 embora, e a margem sobre o bruto ficou em 16%.
O maior desconto do mês não é a taxa do aplicativo nem o combustível. É a depreciação: R$ 1.650, ou 25,4% do bruto.
Ponha o seu extrato do mês linha por linha — a conta não estima nada, ela só organiza o que você informar e mostra para onde o dinheiro foi.
A linha que o motorista não desconta
A depreciação, R$ 1.650 no mês, é maior que o combustível, que dá R$ 1.450. E é a única das duas que não chega como boleto nem como bomba de gasolina.
O combustível é pago duas ou três vezes por semana, com o cartão na mão: ele é sentido. A perda de valor acontece em silêncio e só aparece inteira no dia da revenda, quando o carro vale R$ 19.800 a menos do que valia doze meses antes.
É daí que vem a distorção mais cara da profissão. O motorista desconta o que sente e não desconta o que não sente — e conclui que ganhou mais do que ganhou. O carro está pagando a diferença, em parcelas invisíveis.
A taxa da plataforma é a segunda, não a primeira
Com 25% sobre R$ 6.500, a plataforma leva R$ 1.625 no mês. É muito, é a linha sobre a qual o motorista tem menos controle, e ainda assim ela fica atrás da depreciação neste exemplo.
O percentual é campo em revisão de propósito: nenhuma plataforma publica um número oficial e estável, e o que vale é o que aparece no seu extrato, corrida a corrida, com as variações de dinâmica e de categoria.
O que sobra não é salário
R$ 1.040 é o que restou do trabalho de um mês. Não tem férias, não tem 13º, não tem FGTS e não tem INSS embutido. Comparar esse número com um salário de carteira assinada, sem provisionar esses direitos por fora, é comparar coisas diferentes.
Os impostos que aparecem na conta — R$ 85 no exemplo, entre DAS do MEI, carnê-leão e INSS — são o que efetivamente se paga, e não o que se deveria provisionar. Quem recolhe pelo mínimo hoje está tomando emprestado do próprio futuro.
Como usar este número para decidir
A margem de 16% é a medida que serve para comparação, mais que o valor absoluto. Ela responde quanto de cada real faturado fica com você — e permite testar cenários: rodar mais horas sobe o bruto e sobe combustível, manutenção e depreciação junto, quase na mesma proporção.
O que muda margem de verdade são as linhas fixas. Um carro mais barato deprecia menos em reais. Um carro mais econômico corta a segunda maior linha. Aluguel de veículo troca depreciação e manutenção por uma diária, e essa comparação tem calculadora própria no site.
Onde a conta pode enganar
Ela não verifica se os itens se sobrepõem. Depreciação e manutenção podem já estar embutidas num custo por quilômetro que você usou em outra página — aqui elas entram como você as informar, e contar duas vezes derruba o líquido artificialmente.
E ela não calcula a depreciação: esse número vem de fora e deve ser composto sobre o valor atual do carro. Digitar um valor linear infla o desconto nos anos seguintes, quando o carro já vale menos e perde menos em reais.