Quanto custa um carro de R$ 60 mil em 5 anos
Um carro de R$ 60.000 rodando 12.000 km por ano consome R$ 102.951,15 em cinco anos. É mais do que o próprio carro custou, e não inclui a compra: são combustível, manutenção, pneus, seguro, IPVA, licenciamento e depreciação, somados ano a ano.
A média sai em R$ 20.590,23 por ano, ou R$ 1.715,85 por mês. Por quilômetro rodado no período, R$ 1,716.
Simule o seu horizonte na calculadora de custo total de propriedade: o número de anos é campo, e o resultado muda bastante entre segurar três e segurar cinco.
Um terço do total é perda de valor
Dos R$ 102.951,15, a depreciação responde por R$ 33.377,68. Ao fim dos cinco anos o carro de R$ 60.000 ainda vale R$ 26.622,32 — e essa diferença é a maior parcela isolada de tudo o que ele custou.
Ela também é a única que você não sente. Combustível é pago no posto, seguro na renovação, IPVA em janeiro. A perda de valor acontece em silêncio e chega inteira no dia da troca, quando a proposta do lojista é menor do que a conta que você tinha na cabeça.
Cinco anos não é cinco vezes o primeiro ano
O primeiro ano custa R$ 24.257,72. Multiplicar por cinco daria R$ 121.288,6 — mas a conta correta dá R$ 102.951,15, R$ 18.337,45 a menos.
A diferença é composição. A depreciação incide sobre o valor do início de cada ano, e esse valor encolhe: no quinto ano o carro perde bem menos em reais do que perdeu no primeiro. IPVA e seguro acompanham, porque também são cobrados sobre o valor do veículo. Só o licenciamento, taxa fixa do Detran, não cai.
Segurar sai mais barato por ano do que trocar
Três anos custam R$ 66.702,65, o que dá R$ 22.234,22 por ano. Cinco anos dão R$ 20.590,23 por ano. Cada ano a mais dilui melhor a parcela mais pesada, que é justamente a que se concentra no começo da vida do carro.
É o argumento aritmético a favor de segurar o carro — e ele vale enquanto a manutenção não disparar. Um carro que passa a exigir reparo grande todo semestre inverte a conta, e o campo de manutenção anual existe para você testar esse cenário.
O custo por quilômetro conta a mesma história: R$ 2,021 no primeiro ano, R$ 1,716 na média de cinco.
Onde esta projeção é otimista
Combustível, pneus e manutenção ficam constantes ao longo dos anos. Não há inflação, não há reajuste na bomba e não há o encarecimento real da manutenção de um carro que envelhece — peça de carro velho não fica mais barata. Essa é a simplificação mais grosseira da conta, e ela puxa o total de cinco anos para baixo.
Os valores também são nominais, sem trazer nada a valor presente, e não entram juros de financiamento nem o custo de oportunidade do dinheiro imobilizado no veículo.
E o percentual de depreciação é o que você informar. Ele abre marcado em revisão porque não existe curva pública brasileira para isso: a FIPE publica preço observado do mês, não série histórica aberta, e a regra de bolso dos 20% no primeiro ano circula sem origem citável. O jeito de acertar o seu número é comparar a FIPE do seu modelo hoje com a do mesmo modelo um ano mais velho.