Quanto custa a revisão programada nos próximos 60 mil km
Um carro com 23.400 km no hodômetro, com revisão a cada 10.000 km a R$ 700 cada, gasta R$ 4.200 nos próximos 60.000 km. Rodando 12.000 km por ano, isso são cinco anos e uma provisão de R$ 840 por ano — R$ 70 por mês.
São 6 revisões no período. O número parece óbvio, e é justamente onde a conta de cabeça erra.
Ponha o seu hodômetro, o intervalo do seu manual e o preço da sua concessionária — os três mudam o total, e o primeiro muda mais do que se espera.
A próxima revisão não é o hodômetro mais um intervalo
Com 23.400 km e intervalo de 10.000 km, a próxima revisão não cai em 33.400 km. Ela cai em 30.000 km, o próximo múltiplo do plano. Faltam 6.600 km, não 10.000 — uma diferença de 3.400 km, ou cerca de 6,6 meses de rodagem no ritmo do exemplo.
Quem se programa pelo intervalo cheio reserva o dinheiro tarde. Planos de revisão programada marcam quilometragem redonda: 10.000, 20.000, 30.000. O seu hodômetro quase nunca está em cima de uma delas, e é essa fase que decide quando a despesa chega.
A fase também decide quantas revisões cabem
Neste exemplo cabem 6 revisões no horizonte, o mesmo que a divisão simples daria. Mas basta o carro estar em cima de um múltiplo para os dois números se separarem: com 20.000 km redondos, a revisão vence agora e cabem 7 revisões no mesmo horizonte, somando R$ 4.900 — R$ 700 a mais de provisão pelo mesmo período rodado.
Por isso a conta parte do seu odômetro, e não de uma marca redonda. Dois carros idênticos, comprados com meses de diferença, podem ter provisões diferentes para os mesmos quilômetros à frente.
O intervalo do manual muda tudo
Montadoras usam marcos diferentes conforme motor e versão. Com intervalo de 15.000 km, este mesmo carro no mesmo horizonte faz 4 revisões e gasta R$ 2.800, contra R$ 4.200 no intervalo de 10.000 km. A provisão anual cai junto.
Não existe um intervalo correto universal, e é por isso que o campo abre marcado em revisão: a única fonte que vale aqui é o manual do seu carro. Copiar o intervalo do carro do vizinho é o jeito mais fácil de perder garantia.
Provisionar por mês evita o buraco de um mês só
R$ 840 por ano viram R$ 70 por mês. Guardado desde o início, o valor transforma uma despesa que aparece de repente numa linha fixa do orçamento — e é a mesma lógica do IPVA, do seguro e do jogo de pneus.
Vale para decidir também: compare os R$ 4.200 do plano do fabricante com o orçamento de uma oficina independente para os mesmos 6 serviços. A conta daqui soma o que o plano custa; se a garantia do seu carro ainda está viva, ela costuma exigir o plano, e aí a comparação é outra.
O que a conta não faz
Usa um custo único por revisão. Na prática a revisão de 40.000 km custa mais que a de 10.000, porque entram velas, fluido de freio e às vezes correia. Esse degrau não está modelado — a saída é digitar a média dos marcos do seu plano.
Também não corrige preço de peça e mão de obra ao longo dos anos, não inclui o que for encontrado fora do escopo, e trata o relógio como sendo o hodômetro. Revisão por tempo, para quem roda muito pouco, é outra conta.