O que o manual do fabricante diz sobre troca de óleo
O manual não traz um número, traz dois: um intervalo em quilômetros e um intervalo em meses. O que vencer primeiro encerra o período, e é isso que a pergunta “quantos km posso rodar” costuma ignorar. Um carro com intervalo de 10.000 km ou 12 meses que rodou 5.500 km em 9 meses já consumiu 75% do intervalo pelo calendário, contra 55% pelo hodômetro. Vale o maior: 75%.
Dois relógios, e o que decide é o que chegar antes
A conta é simples e é dupla. De um lado, os quilômetros rodados desde a última troca divididos pelo intervalo em quilômetros. Do outro, os meses decorridos divididos pelo intervalo em meses. O percentual que importa é o maior dos dois.
No exemplo acima — 43.500 km hoje, 38.000 km na etiqueta da última troca — faltam 4.500 km, mas só 3 meses. Quem olha só o hodômetro conclui que ainda há folga e passa do prazo por conta do calendário. É o caso clássico de quem roda pouco.
Confira o seu na calculadora de troca de óleo, com os dois intervalos do seu manual.
Não existe “o intervalo do óleo”
Existe o intervalo do seu motor. Ele muda de montadora para montadora, muda entre motores da mesma montadora e muda entre uso normal e uso severo. Publicar um número único seria escolher um manual e chamá-lo de regra — que é o motivo de os dois campos abrirem marcados como em revisão neste site.
Veja o mesmo carro sob manuais diferentes, mantendo os 9 meses e os 5.500 km rodados. Com 15.000 km ou 12 meses, faltariam 9.500 km. Com 20.000 km ou 12 meses, faltariam 14.500 km. Nos dois casos o percentual consumido continua sendo 75% e quem decide continua sendo o calendário: alongar o intervalo de quilometragem não compra um único dia a mais.
Agora inverta. Com 10.000 km ou 6 meses, o mesmo carro está vencido a 150% — com 4.500 km ainda sobrando no hodômetro. O limite de tempo é o que muda de resposta, e é o que quase nunca é lido.
Uso severo é uma definição do manual, não um adjetivo
O próprio manual costuma descrever um regime mais exigente: trânsito parado, percurso curto que não aquece o motor, poeira, estrada de terra, reboque. Nesse regime ele encurta o intervalo, com frequência para metade. Se é o seu caso, o número a digitar é o severo — e a maior parte dos carros de cidade se encaixa em pelo menos uma dessas descrições.
O que o sensor do painel sabe e o que ele não sabe
O indicador de vida útil do óleo estima a degradação por um modelo de uso: rotação, temperatura, tempo de motor ligado. É informação útil e é incompleta. Ele não conta bem os meses de um carro que ficou parado, e o critério de garantia continua sendo o do manual, que é o dos dois limites.
O que esta conta não faz
Ela conta prazo, não analisa lubrificante. Não sabe qual óleo está no cárter, não distingue especificação, não lê o sensor e não avalia o estado do óleo depois de rodado. Se você não anotou a quilometragem da última troca, ela está na etiqueta que a oficina cola no batente da porta — e a subtração é o começo de tudo: 43.500 menos 38.000 dá os 5.500 km do exemplo.
E este site não publica um intervalo de referência porque não achou uma fonte que valha para todos os motores. O que vale é o manual do seu — os campos existem para receber o número dele, não para substituí-lo.