Alugar carro para rodar em app ou usar o seu: o ponto de virada é o valor do carro
Alugando a R$ 600 por semana, com R$ 100 por mês de gastos que o contrato não cobre, o mês fecha em R$ 4.420,91 rodando 3.000 km. Com um carro próprio de R$ 80.000, o mesmo mês custa R$ 3.579,24. A diferença é de R$ 841,67 por mês, ou R$ 10.100,04 no ano, a favor do carro próprio.
Antes de assinar contrato com locadora, ponha o valor do seu carro na calculadora de alugar ou rodar com o seu, porque é esse campo que decide a resposta.
O mês não tem quatro semanas
Tem 4,3333 — cinquenta e duas semanas divididas por doze meses. Multiplicar o aluguel semanal por quatro subestima o custo em 7,7%: os R$ 600 por semana do exemplo são R$ 2.600 por mês, não R$ 2.400.
São R$ 200 por mês que somem da conta de quem faz a estimativa de cabeça. Em um ano, é mais de um mês de aluguel evaporando na aritmética errada.
O combustível fica nos dois lados
O aluguel cobre o carro, o seguro e a manutenção. Não cobre o tanque. Com 3.000 km por mês a 11 km/L e a gasolina da pesquisa da ANP de 30/08 a 05/09/2026, são 272,7 litros e R$ 1.720,91 por mês — o mesmo valor nas duas colunas.
Por isso o combustível não desempata nada, e quem o lança só do lado do carro próprio produz uma comparação que já nasce decidida.
O ponto de virada é o valor do carro que você usaria
Do lado do carro próprio, a maior parcela isolada é a depreciação: R$ 1.000 por mês, saídos de R$ 12.000 no primeiro ano de um carro de R$ 80.000 perdendo 15% ao ano. Essa parcela é proporcional ao valor do veículo, e é ela que move a comparação inteira.
Com um carro de R$ 40.000, rodar com o seu custa R$ 3.079,24 por mês, e o carro próprio ganha com folga. Com um de R$ 120.000, sobe para R$ 4.079,24 e a folga quase acaba. Com um de R$ 160.000, chega a R$ 4.579,24 e o aluguel passa a ser mais barato. A virada acontece nessa faixa, entre R$ 120.000 e R$ 160.000, com o aluguel do exemplo.
A leitura prática é dura e simples: usar um carro caro como ferramenta de trabalho é uma decisão cara. Ele deprecia no seu nome, em quilometragem de aplicativo, e o mercado desconta isso na revenda.
O que a conta não sabe
O aluguel não imobiliza capital e o carro próprio sim: os R$ 80.000 parados no veículo deixam de render, e custo de oportunidade não entra aqui — o que joga a favor do aluguel. Juros de financiamento também não entram, e se o seu carro é financiado, eles são custo real, também a favor do aluguel.
Do outro lado, o carro próprio pode ser vendido e o aluguel some. Caução, franquia de quilometragem e multa de rescisão variam por contrato e precisam ser somados no campo de outros gastos, senão o aluguel aparece mais barato do que é.
O critério
Olhe o valor do carro que você usaria, não a mensalidade da locadora. Se o veículo vale pouco e já está quitado, rodar com ele ganha por uma margem que nenhum contrato de aluguel cobre. Se ele é caro, novo ou financiado, alugar deixa de ser desperdício e passa a ser proteção do seu patrimônio.
E rode o cálculo com a quilometragem que você realmente faz: quanto mais você roda, mais o aluguel se dilui — R$ 1,474 por quilômetro alugando contra R$ 1,193 com o carro próprio, aos 3.000 km do exemplo.